Serra da Capivara Parte 2 – A Fábrica

por Ana Paula Dreher – fotos e parte do texto

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1 1bJunto a pousada/albergue fica a fábrica de cerâmica Serra da Capivara, na localidade de Barreirinho, localizada num típico povoado da caatinga e numa das regiões mais miseráveis do país, o sudeste do Piauí. Um projeto pioneiro, que alia empreendimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.
A pequena empresa foi criada em 1994 pela arqueóloga Niède Guidon, junto ao Parque Nacional Serra da Capivara que abriga vários dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Mesmo Declarado Monumento da Humanidade pela Unesco, o parque sofre todo tipo de pressão, desde tentativas de invasão a destruição da biodiversidade e desmatamento. A forma inteligente de controle se dá através do desenvolvimento de atividades sustentáveis em sua área de influência, e foi assim que nasceu uma das iniciativas mais bem-sucedidas, a Cerâmica Serra da Capivara, que, utilizando preceitos avançados de capitalismo inclusivo, tornou-se um paradigma na quebra da tendência à filantropia. No solo seco, de barro vermelho forte e escaldante nos meses de verão, só se vê o mandacaru e raros bodes pastando.
A Cerâmica começou com quatro colaboradores, pessoas humildes que já viviam de transformar a argila abundante na região em potes e moringas produzidos a partir de técnicas rudimentares e queimados em fornos movidos a lenha retirada da área de preservação.  A rústica produção era vendida nas feiras próximas.
Com financiamento de instituições internacionais, a nova empresa interferiu no modo de produção dos ceramistas locais. Eles aprenderam técnicas novas, trazidas da Itália e do Japão, e passaram a produzir algumas das mais belas peças do artesanato brasileiro. Além de bonitas, são resistentes e de design moderno, inspirado, porém, nas pinturas rupestres, marca registrada do parque arqueológico. A cerâmica rudimentar e com pouco valor de mercado foi transformada num produto competitivo.
Começando com vendedores ambulantes que as ofereciam a turistas em vista ao parque, as peças hoje estão em lojas de artesanato por todo o pais e começam a ser exportadas para a Europa.
Os fornos passaram a ser aquecidos a gás, levado para lá por caminhões contratados, o que reduziu a pressão sobre a madeira da área de preservação.
Hoje, mais de trinta famílias vivem da produção e venda dos objetos criados pela Cerâmica Serra da Capivara. Num cenário em que a miséria é onipresente, elas recebem rendimentos que as colocam na classe média local, o que significa que estão calçadas, bem alimentadas, suas casas têm antenas parabólicas e dispõem de motocicletas para o transporte. Além disso, numa região crônica em termos de prostituição, como é o Nordeste, esse grupo se livrou dessa armadilha e se apresenta e se comunica olhando de frente para os nossos olhos. Há cidadania.
A pequena empresa é modelo de sustentabilidade porque é uma atividade econômica legalizada, que reduz a pressão sobre os recursos naturais, como caça, desmatamento e ocupação ilegal, e aumenta a qualidade de vida da sociedade local como um todo – livre adaptação do texto retirada da página: www.ceramicacapivara.com/quem_somos
Mais um exemplo do artesanato como modificador social – orgulho de poder mostrar um pouco da nossa arte e do nosso Brasil a todos que quiserem conhecer!!! Amo muito o que escolhi fazer e agradeço sempre as oportunidades que a vida está me dando, de conhecer cada vez mais este pais riquíssimo, que mesmo em meio a pobreza encontra uma maneira se se reinventar!!! – Ana Paula

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