Exposição Juazeiro do Norte e Barbalha-CE na Casa de Ana

Esta exposição é continuação de um projeto em desenvolvimento pelo grupo
Casa de Ana, o projeto “O Brasil descobrindo o Brasil”.

A nossa missão é difundir a arte e cultura brasileiras, buscando conhecer
o artesão no seu ambiente de trabalho, a sua história, a sua técnica e a
cultura do local onde acontecem as transformações, trazendo para a loja
não apenas um objeto, mas uma peça recheada de histórias e cultura.

Um dos nossos focos é compartilhar as nossas vivências, trazendo para todos
um pouco mais do nosso Brasil. Também temos como objetivo fazer com que mais
brasileiros utilizem o Brasil no seu dia a dia buscando assim fortalecer
verdadeiramente a nossa arte popular.

A exposição sobre Juazeiro do Norte e Barbalha é resultado de algumas visitas
da Ana até estas duas cidades do Ceará.

A exposição conta com um acervo de peças artesanais trazidas da região, feitas
por mestres artesãos e com registro fotográfico e em vídeo das experiências
vividas por ela.

Venha visitar a nossa exposição, que ficará aqui na loja até o dia 02/12/2017.

Juazeiro do Norte e Padre Cícero

Juazeiro do Norte está situada no Sul do Ceará, ocupando área de 248 km² com
população de quase 300 mil habitantes[1].

Em 1827 foi erguida uma capelinha, pelo Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, no local
denominado Tabuleiro Grande, em frente a um frondoso juazeiro, na estrada real que
ligava Crato a Missão Velha, à margem direita do rio Batateira. Esta é a origem de
Juazeiro do Norte. A denominação deve-se justamente à árvore, notável por manter-se
verdejante no rigor das maiores secas. Juazeiro é palavra tupi-portuguêsa: jua ou
iu-à e “fruto de espinho” (em virtude da grande quantidade de espinhos que defendem
os ramos da árvore), mais o sufixo eiro.
A pequena capela foi consagrada a Nossa Senhora das Dores, padroeira do Município,
a quem o Padre doou, como patrimônio, as suas terras e onze escravos.
O povoado não teve grande desenvolvimento até que a 11 de abril de 1872 lá chegou o
Padre Cícero Romão Batista, como sucessor do Padre Pedro Ferreira de Melo. O pequeno
núcleo contava, então, com 12 casas de tijolos e 20 de taipa e palha[2].

A cidade tem na figura do Padre Cícero Romão Batista um marco na construção da
religiosidade, da cultura do seu povo e acontecimentos políticos do Cariri. Quando
o sacerdote chegou em abril de 1872, cavalgando num jumento, era apenas um arraial
com algumas poucas casas de tijolos e uma rústica capela.

Graças a ele, Juazeiro é considerado um dos maiores centros de religiosidade popular
da América Latina, atraindo 1,5 milhão de fiéis por ano os quais vêm reverenciar
Nossa Senhora das Dores e Padre Cícero que introduziu uma política de fé, amor e
trabalho, tornando-se um mito para o povo nordestino. Nas romarias, a cidade se
transforma em um centro de devoção com missas, bênçãos, procissões, novenas,
peregrinações e visitações, além de extraordinário mercado de artesanato regional
e artigos religiosos.

Recentemente, Juazeiro comemorou a passagem de 100 anos da sua emancipação política
como a terceira cidade do Ceará após deixar de ser um mero povoado pertencente ao
Crato. Tudo começou durante uma missa em março de 1889 quando Padre Cícero
ministrava a comunhão aos fiéis. Ao colocar a hóstia na boca da beata Maria de Araújo,
esta se transformou em sangue. O fato se repetiu por diversas vezes durante cerca de
dois anos, sendo logo atribuído pelos fiéis como um milagre.

Levas de católicos passaram a visitar o povoado em busca dos conselhos e da benção do
“Padim Ciço”. O vilarejo foi crescendo com a abertura de novas ruas e a construção de
casas tudo no entorno da fé popular. Surgiam os pequenos negócios com melhores
perspectivas e o Padre Cícero sempre aconselhando: “em cada casa um santuário e em
cada quintal uma oficina”. Os espaços sagrado e econômico se entrelaçaram com o
trabalho e a fé caminhando juntos a ponto de servir como alicerce [1].

[1]http://www.juazeiro.ce.gov.br/Cidade/Historia/

[2] http://www.citybrazil.com.br/ce/juazeironorte/historia-da-cidade

 

 

Lira Nordestina

A Lira Nordestina é uma editora brasileira especializada na produção de literatura de cordel. Símbolo da cultura popular em Juazeiro do Norte, no Ceará, é considerado o principal centro nacional de produção de Literatura de Cordel no Brasil[1].

Referência inegável da história do Cariri cearense e memória cultural do Brasil, a Tipografia São Francisco – hoje denominada Lira Nordestina – foi fundada na década de 1920 em Juazeiro do Norte, por José Bernardo da Silva sob as bênçãos do Padre Cícero[2].

Entre os anos de 1932 e 1982, a Tipografia São Francisco com o nome de “Folhetaria Silva”, funcionou em Juazeiro do Norte como uma editora de cordel, tendo à frente José Bernardo da Silva, que em 1939 mudou o nome para Tipografia São Francisco[3].

Nos anos de 1940 tornou-se o mais importante e dinâmico polo produtor de cordel no Brasil[2].

Em 1949, José Bernardo adquire os direitos autorais de João Martins de Athayde, tornando-se a editora mais importante do Brasil. José Bernardo também incentivou a ilustração das capas de cordel com xilogravura, pelo custo mais baixo que os clichês de metal e como incentivo aos escultores da região. Na década de 1950, devido a uma série de fatores econômicos e políticos, há uma forte diminuição da produção de cordéis.

Na década de 1970 com o falecimento de filhos, da esposa e do próprio José Bernardo, ficou á frente da Tipografia sua filha Maria de Jesus da Silva Diniz. Em 1980, a Tipografia passa a denominar-se Lira Nordestina, por sugestão de Patativa do Assaré, um dos maiores poetas do Ceará.

Com a crise cada vez mais forte, Maria de Jesus vende a Lira Nordestina em 1982 ao Estado do Ceará que, em 1988 passa a fazer parte do patrimônio da Universidade Regional do Cariri – URCA[3], que promoveu várias ações e projetos no sentido de revitalizar este importante patrimônio imaterial do Brasil[2].

[1] http://www.ebc.com.br/jose-lorenco-a-lira-nordestina-e-a-arte-da-xilogravura

[2] http://www.mobilizadores.org.br/noticias/lira-nordestina-e-hoje-um-dos-pontos-de-cultura-do-brasil/

[3] http://www.urca.br/liranordestina/index.php/quem-somos

Espedito Seleiro 

“O cabra chegou para meu pai e disse que queria uma sandália diferente, de solado quadrado, sem marca da curva da sola do pé. Mostrou um modelo desenhado. Meu pai disse que fazia. Dias depois o cabra veio buscar a encomenda e perguntou a meu pai se ele sabia para quem era a sandália. ‘Não é para você?’, meu pai perguntou. ‘Não, é para o Capitão Virgulino’. ‘Pois leve a sandália e nem precisa pagar'”.

É assim que Espedito Velozo de Carvalho, o Mestre Espedito Seleiro, de 77 anos, resume como surgiu a sandália mais famosa de tantas de seu ateliê em Nova Olinda, cidade do interior do Ceará, a 500 km de Fortaleza.

A sandália de solado quadrado era mesmo para o Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, chefe do bando de cangaceiros que impunha medo, respeito e fascínio no interior do Nordeste nos anos 1930.

O solado quadrado, sem indicar qual era a frente da sandália, tinha um propósito: despistar as volantes, como eram chamadas as equipes policiais que caçavam os cangaceiros pelo sertão. “O solado quadrado deixava uma pegada quadrada, de modo que a volante não conseguia saber para que lado Lampião tinha ido, se estava indo ou voltando”, explica Espedito Seleiro.

O filho do criador da sandália de Lampião se transformou, nos últimos anos, em uma assinatura valorizada no mundo da moda, do cinema e do design. Espedito (assim mesmo, com S) Seleiro fez peças para marcas como Farm, Cavallera e Cantão, trabalhando ainda com os irmãos Campana.

Ainda menino, Espedito aprendeu com o pai, Raimundo Seleiro, que aprendeu com o pai dele, Gonçalves Seleiro, filho de Antônio Seleiro, a arte de tratar e transformar o couro de boi e de cabra em peças usadas pelos vaqueiros, como selas, cintos e chicotes.

Um dia, cansado de tantas peças parecidas – sandálias de couro são uma tradição no interior do Ceará, vendidas em cada esquina e cada mercado popular –, viu que precisava inovar. Usando produtos naturais, como a tintura da casca do angico, árvore comum na região, tingiu o couro.

Assim surgiram sandálias vermelhas, azuis, amarelas e roxas, cheias de desenhos. Levou para um conhecido no mercado vender. No outro dia vieram pedir mais, e as sandálias coloridas abriram caminho para que ele se diferenciasse dos demais artesãos.

Um dia, o educador Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, premiada organização de Nova Olinda que capacita crianças e jovens para as artes, pediu a Seleiro que fizesse uma sandália igual à de Lampião para uma exposição sobre o Cariri.

Seleiro tinha guardado os desenhos do pai e reproduziu a sandália “cobertão”, de solado quadrado. “Mudei o nome para sandália Lampião. E quando me pediram um modelo para mulher, fiz a sandália Maria Bonita”, explica o artesão.

A obra de Espedito Seleiro traduz as tradições dos vaqueiros, dos cangaceiros, dos ciganos, desses homens que se espalharam pelo interior do Nordeste. E ele conseguiu manter sua originalidade dentro dessa tradição, conseguiu se diferenciar.

Assim como aprendeu o ofício em família, Seleiro ensina o que sabe aos filhos, netos e sobrinhos, e juntos eles mantêm a cooperativa Associação Familiar Espedito Seleiro, que reúne 22 profissionais.

Ao lado da oficina criou o Museu do Couro, que conta a história de sua obra e também a saga dos vaqueiros no sertão[1].

[1]http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151222_inventor_sandalia_lampiao_fashion_fe

Centro de Cultura Popular Mestre Noza 

Localizado em Juazeiro do Norte, o Centro de Cultura Popular Mestre Noza foi criado em homenagem ao pernambucano Inocêncio Medeiros da Costa, ou simplesmente Mestre Noza, considerado o primeiro artesão da região. O centro nasceu em junho de 1983 a partir do Encontro de Produção de Artesanato Popular e Identidade Cultural, uma iniciativa do Instituto Nacional de Folclore (INF) do Ceará e promovido pela Fundação Nacional de Arte (Funarte).

Desse encontro, que reuniu representantes de órgãos da Secretaria de Cultura, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), surgiu a recomendação de que fosse efetuado pelo INF um projeto piloto na área para apoio aos artesãos locais. O objetivo era o de proporcionar a eles mais perspectivas de trabalho, aumentando o volume de negócios realizados e garantindo renda em uma atividade sustentável.

O antigo prédio da Polícia Militar do Ceará, que foi recuperado por meio do apoio da Secretaria Municipal de Cultura do estado, foi adotado como sede do centro. “Na época, o então secretário de Cultura e Turismo, Abraão Batista, fez o projeto para a Funarte, obedecendo um edital que buscava congregar artistas populares, incluindo artesões e grupos folclóricos, em um espaço que lhes pudesse servir para expor suas obras e, consequentemente, comercializá-las”, conta Hamurabi Batista, presidente do Centro de Cultura Popular Mestre Noza.

As peças produzidas pelos artesãos são compradas pelo centro, que as revende. O valor angariado com esse comércio é utilizado para comprar mais peças e custear as despesas operacionais da instituição. “Hoje, contamos com 195 artesãos cadastrados. Compramos as peças dentro do nosso contexto, que abrange escultura em madeira; e peças de palha de carnaúba, de argila e de vidro. Comercializamos também instrumentos rústicos, incluindo zabumba e triangulo”, lista.

Para fazer parte do centro, o artesão deve ter sua obra inserida no contexto de arte contemporânea de origem popular e produzi-la na região.
O centro teve como primeiro parceiro o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que há anos oferece à entidade cursos de capacitação, além de apoio em outras áreas. Quando acontecem as rodadas nacionais e internacionais de negócio, o Sebrae fornece transporte para os artesãos e seus produtos, incluindo, em alguns casos, hospedagem e alimentação. A instituição ainda conta com outros parceiros, como a Central de Artesanato do Ceará (Ceart) e a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), além do Ministério da Cultura, Funarte e a Prefeitura Municipal [1].

[1] http://redeglobo.globo.com/acao/noticia/2013/01/conheca-o-centro-de-cultura-popular-mestre-noza-em-juazeiro-do-norte.html

 

Fundação Casa Grande

A Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri é uma organização não-governamental, cultural e filantrópica criada em 1992, com sede em Nova Olinda, Ceará, Brasil.
Sua criação se deu a partir da restauração da primeira Casa da Fazenda Tapera, hoje cidade de Nova Olinda, ponto de passagem da estrada das boiadas que ligava o Cariri ao sertão dos Inhamuns, no período da civilização do couro, final do século XVII.

A Fundação Casa Grande tem como missão a formação educacional de crianças e jovens protagonistas em gestão cultural por meio de seus programas: Memória, Comunicação, Artes e Turismo.

Os programas de formação da Fundação Casa Grande desenvolvem atividades de complementação escolar através dos laboratórios de Conteúdo e Produção. O objetivo é a formação interdisciplinar das crianças e jovens, a sensibilização do ver, do ouvir, do fazer e conviver através do acesso a qualidade do conteúdo e ampliação do repertório.

Hoje a Fundação Casa Grande é uma escola de referência em educação e tem a visão de levar “o mundo ao sertão”. Mas não qualquer mundo, e sim um mundo que proporcione as crianças e jovens o empoderamento da cultura e da cidadania.

Para proporcionar o acesso de outras comunidades a nossa tecnologia social, foi criado o “Turismo de Conteúdo”, abrindo à pesquisa os laboratórios de conteúdo da Fundação para um público que em 2006 chegou a 28 mil pessoas[1].

A Casa Grande passou a ser um dos principais projetos referenciais do Brasil e no exterior de protagonismo infantil e juvenil. Atravessa duas décadas consolidada, com um trabalho de formação crítica e cidadã para os meninos e meninas da pequena cidade sertaneja.
Cerca de 500 meninos já passaram pela instituição e levam consigo a marca de uma identidade construída ao longo dos anos. Alguns deles, após obter não só a formação cidadã, mas técnica, atuam em órgãos culturais da região e até em países como a Itália, por onde a Casa Grande passou levando o legado de uma cultura regional para apresentar, incluindo outros países como Estados Unidos.
O presidente da Fundação Casa Grande, Alemberg Quindins, capacita a garotada para as atividades de comunicação, com o objetivo de disseminar a história do povo que habitou a região no passado.  A Fundação tem sede na casa mais antiga de Nova Olinda, que originou a cidade. A organização projetou o município caririense para o mundo
E o espaço para abrigar o projeto tem se ampliado, agora para o esporte, com o futebol, na área do Parque Ambiental. Terá o resgate histórico do time Titã e mais 80 crianças inseridas no processo educacional. Para o diretor e idealizador do projeto da Organização Não-Governamental, Alemberg Quindins, durante os 20 anos houve um crescimento em que foi necessária área maior para a criação dos laboratórios e o Teatro Violeta Arraes. Para Alemberg, o projeto, atualmente, se define em atuações voltadas para a sustentabilidade institucional, educação infantil, profissionalização juvenil e geração de renda familiar. O diretor também destaca a visibilidade em nível internacional da instituição.

Durante estes anos, são contabilizados diversos prêmios de reconhecimento do trabalho, a exemplo da maior comenda do Ministério da Cultura, entregue no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com a Ordem do Mérito Cultural. Em Estados como o Rio Grande do Sul, também recebeu a Ordem do Mérito Cultural Farroupilha. Também da Time Warner. O prêmio Valor do Brasil, de experimento, educação e geração de conhecimento, do Banco do Brasil, além do Prêmio Orilaxé, de empreendedorismo cultural, do Afroregae, de reconhecimento na área de direitos humanos, além de tantos outros.
A ONG cultural e filantrópica atua com crianças com menos de um ano de idade até mais de 25 anos. São eles, os mirins, os próprios gestores das diversas áreas de trabalho da Fundação, desde a DVDteca, biblioteca, gibiteca e discoteca. Um material selecionado, e voltado para a formação de mentes com um critério de seletividade, segundo o diretor, melhor qualificado. O memorial, com um acervo de materiais arqueológicos da região, se tornou uma casa que abriga esse patrimônio, com o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Ceará. Tudo isto além do aspecto científico, com o laboratório de arqueologia e a prospecções em áreas de importante valor histórico da região.

A técnica é outro fator exercitado pelos meninos da Casa Grande, com a editora, laboratório de informática, teatro, rádio comunitária e a TV. Com esses instrumentos, a memória da região é preservada, segundo um dos integrantes da Casa Grande, desde a infância, Hélio Filho. “Esse material guardado é uma espécie de documento da cultura das pessoas”, diz ele. Os meninos começam na Casa Grande como recepcionistas.

Para Hélio, estar na ONG tem sido um grande aprendizado de vida, com o conhecimento de novas pessoas e outras áreas. E o seu exercício de atividades vai desde a música aos equipamentos audiovisuais. Segundo Alemberg, as crianças desenvolvem o olhar pelo som e pela luz, por meio da fotografia, cinema, musicalidade e a profundidade de conteúdo histórico. “Eles chegam e estudam as lendas, o que não acontece nas escolas da região, conhecendo e respeitando o homem kariri, que deu origem a tudo isso. Aqui, a Fundação celebra esse homem”, ressalta.

E os próximos passos da Casa Grande consolidam a valorização da cultura desse homem do Cariri. Projetos internacionais terão continuidade, em parceria com instituições do Canadá, Estados Unidos e na África[2].

[1] http://www.fundacaocasagrande.org.br/principal.php

[2] http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/fundacao-casa-grande-faz-20-anos-de-historia-no-cariri-1.49796

 Festa do Pau da Bandeira – Barbalha 

A Festa de Santo Antônio de Barbalha, também conhecida como Festa do Pau da Bandeira, é uma festividade popular anual da cidade cearense de Barbalha. Suas origens remontam ao ano de 1928, quando o pároco José Correia de Lima, então vigário de Barbalha, promoveu o cortejo do mastro em cujo topo seria hasteada a bandeira de Santo Antônio. Desde então, o carregamento do mastro hasteamento da bandeira, em fins de maio e início de junho, marcam o início das festividades dedicadas ao santo (que se estendem até o dia 13 de junho, data em que é homenageado Santo Antônio de Lisboa), tendo adquirido um caráter carnavalesco que lhe distingue de outras celebrações similares na região do Cariri cearense.

Desde 1973, data em que o poder público municipal passou a explorar o potencial turístico da festividade, a festividade tem atraído um número crescente de participantes. Para além do carregamento espontâneo do mastro, bandas e cantores populares se apresentam publicamente nas ruas da cidade entre o dia do cortejo até o dia 13 de junho, além de quadrilhas juninas e outras expressões artísticas.

Misto de cultura popular e fé católica, a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha, município do Sul cearense, entrou para a lista das celebrações registradas como patrimônio imaterial brasileiro. Unânime, a decisão foi anunciada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No Nordeste, a Festa do Pau da Bandeira está no mesmo nível do Bumba-Meu-Boi, no Maranhão, das festas de Sant’Ana de Caicó, no Rio Grande do Norte, e do Senhor Bom Jesus do Bonfim, na Bahia.

Secretário da Cultura e do Turismo de Barbalha, Antônio de Luna, informou que o reconhecimento da festa pelo Iphan é um marco para o fortalecimento da cultura da região e do Ceará.

Os carregadores formam uma espécie de irmandade e centenas de homens se revezam para levar o pau sobre os ombros por cerca de 6 quilômetros até a frente da Igreja Matriz de Barbalha, onde é hasteado com a bandeira de Santo Antônio, numa demonstração de força e fé.

Na parte da frente ficam os mais novos e mais fortes. No meio, ficam alguns veteranos e, na parte de trás, vão até algumas crianças que estão se iniciando. Há uma fé religiosa em muitos e alguns vão pela animação, porque é uma festa que a população passa todo o ano falando.

Entre as mulheres, fica a expectativa de pegar no tronco para conseguir um casamento.

O cortejo se encerra com o hasteamento da bandeira, em frente à Igreja Matriz de Barbalha, que é celebrado com preces e queima de fogos.

O evento chega a reunir, segundo o secretário da Cultura e do Turismo, cerca de 300 mil pessoas na cidade e movimenta todo o triângulo Crajubar (união formada pelas cidades do Crato, de Juazeiro do Norte e de Barbalha)[1].

[1] http://www.ebc.com.br/cultura/2015/09/festa-do-pau-da-bandeira-de-barbalha-e-registrada-como-patrimonio-imaterial

Aqui  no blog nós trazemos um pouquinho do que está exposto aqui na Casa de Ana.

 

             

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