Conversa com Jaqueline Kozan

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 Jaqueline Kozan   

Jaqueline é natural de Curitiba e desde pequena sempre esteve envolvida com a dança.  Cursou Ballet Clássico na FAP – Faculdade de Artes do Paraná , sendo formada pelo método Royal.

Trabalhava no SESC como terceirizada, tendo a sua própria escola, dava aulas em 2 unidades daquela instituição, em Curitiba.

No início dos anos 90 uma inquietação e um a vontade de viver em um local mais tranquilo,  tomaram conta e ficaram remexendo em sua mente.

A Mudança

O gosto pelo cheiro do mar, da areia e do clima, a fez pensar em um local que tivesse praia.

“…a praia traz um bem estar muito grande, uma calma interior.”

Neste mesmo período, retomou contato com uma amiga, ex-colega de balé, que retornava dos Estados Unidos para voltar a morar em Florianópolis.

Jaqueline vinha visitá-la cada vez com maior frequência. Começaram a passear pela ilha; a procurar escolas de dança, foi assim que Jaqueline resolveu que era  Florianópolis a cidade que queria morar.

Uma conhecida de sua amiga, também retornando dos EUA, passou a dar aulas em uma escola de Biguaçu e, através da amiga em comum ouviu falar de Jaqueline. Esta conhecida sugeriu que Jaqueline fosse visitar escolas para conhecer melhor como acontecia o Balé em Florianópolis e foi isso que Jaqueline fez.

Em 2005 esta mesma pessoa deixa a escola de Biguaçu para retornar aos EUA e um convite para dar aulas em seu lugar, fez Jaqueline mudar definitivamente de vida.

Disse ela: “estou voltando para os Estados Unidos e preciso indicar alguém para ficar em meu lugar”.

Foi assim que Jaqueline foi indicada e começou a dar aulas de dança na escola em  Biguaçu. Jaqueline nunca mais a viu e, a sensação de que ela apareceu em sua vida somente para redireciona-la e ir embora, está até hoje em sua mente .

Jaqueline deu aulas por 5 anos em Biguaçu e abriu uma loja de roupas de dança com sua amiga, mas  a vontade de reabrir a sua escola de dança, a cada dia ficava mais forte.

“Eu queria um local onde eu pudesse trabalhar e morar também e, que pudesse ser livre para ensinar o balé.”

Começou a pesquisar o nível das escolas de dança em Floripa  e viu que poderia desenvolver seu trabalho de forma profissional e pelo amor que tem a dança.

“Para mim a recompensa é ver os alunos dançando de uma forma correta, com uma base bem sólida”.

 Para isso Jaqueline continuou se aperfeiçoando e se reciclando.

“Queria mostrar e divulgar o que é realmente o balé clássico e ensinar para que as crianças desde pequenas aprendessem o Balé da maneira correta.”

Pensou que teria muito trabalho, que seria muito bom e um grande desafio.

Morava no centro e aos poucos passou a procurar uma casa para morar.

Sua Família estava dividida. Cada um morava em uma cidade.

Jaqueline começou a amar Floripa e as palavras iam criando força e o marido então comentou do Campeche: – Parece que lá tem casas para alugar. Jaqueline ainda não conhecia esta praia e a achou a mais linda de Floripa, ficou encantada.

Um dia, caminhando da Av. Castanheiras até a Gramaal, achou o cantinho que tanto buscava para morar e foi então que a sua vida começou a mudar mais uma vez. Foi aqui no Campeche que achou a sua casa e fez daqui o seu lar e, onde a família se reuniria novamente.

futuro O Sonho

Pensou: “… é aqui que vou montar a minha escola de dança – no Campeche.”

 Jaqueline achava que ainda não era o momento, que tinha de esperar um pouco mais, pois precisava primeiro entender melhor o local e se apropriar do novo bairro.

O Campeche ainda não era tão populoso e não tinha muita estrutura.

Resolveu aguardar até ser o momento certo, pois sabia que ainda não era a hora.

A franquia de um restaurante fez com que sua filha  viesse definitivamente para Floripa, estando a família reunida novamente. Com o restaurante foi conhecendo melhor as pessoas e como funcionava o bairro  e isso lhe deu mais confiança.

Aos poucos, iniciou a procura pelo local onde seria a sua Escola de Dança.

Jaqueline não imaginava que no mesmo local onde estava uma grande figueira, a qual admirava todos os dias ao passar para ir a sua casa e, que ao ser cortada lhe trouxe grande indignação, anos depois, aconteceria ali, a construção de um dos seus maiores sonhos: a Escola de Dança Jaqueline Kozan, no Campeche.

Sua filha um dia passando em frente ao prédio onde antes estava a figueira, conheceu um senhor e contou a história da sua mãe e o seu sonho. Mal sabia ela que este senhor era o proprietário do local. Ele foi se encantando pelo que ouvia e cada vez ficava mais  interessado e  ao final, disse que gostaria muito que ela fizesse a sua Escola de Dança ali.

Após um “sim” inesperado para uma proposta feita por Jaqueline, estava dado o empurrão inicial, por esta grande pessoa que veio  a se tornar seu grande amigo e  que durante toda o seu tempo de vida, acreditou no  sonho e  foi o seu grande incentivador. Foi assim que iniciou a caminhada para a implantação da escola.

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A Escola – alegrias e conquistadas

Os preparativos começaram em 01 de julho de 2009 e no dia 03 de agosto do mesmo ano a escola começou a funcionar.

Hoje Jaqueline conta com mais de 200 alunos de diversas idades e possui uma equipe escolhida com todo o carinho, que também acreditam em seus ideais e são fundamentais para que Jaqueline continue conquistando os seus sonhos. Sua filha está ao seu lado e lhe ajuda na Escola.

A Escola também faz um trabalho social com crianças da comunidade onde elas tem aula gratuita de balé uma vez por semana. Jaqueline quer ampliar este número de crianças.

A poucos dias, mais um sonho  se tornou realidade;  a participação dela e de sua colega de trabalho, em aulas de dança no  Vaganova Method Conference em St. Petersburg, onde ficarão por uma semana agora em Julho.

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O Futuro

Está nos seus planos ainda este ano a confecção de uma revista mensal onde serão abordados todos os temas ligados ao Balé e a dança.

Um grande Instituto também está nos seus planos. Um local onde as pessoas possam falar sobre dança, conviver e viver a dança, onde as crianças possam ficar durante todo o dia com atividades interessantes e  que além de aulas práticas de  balé, circo, sapateado, entre outros, poderiam ter aulas teóricas, com uma biblioteca com livros e revistas direcionados ao tema.

” Quero sempre  estar buscando algo mais e conquistar novos sonhos…

Para mim, ensinar a dança é o que me alimenta e os desafios são o que me impulsionam. “- por Jaqueline Kozan 

Entrevista, fotos e texto:  Ana Paula Dreher – Junho 2013

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