A História de Seu Manoel

Sabe aquele domingo lindo de sol que você tem vontade de sair e aproveitar tudo e mais um pouco?

Pois foi num domingo assim que conheci Seu Manoel. Quando resolvemos ir passear numa feira em São José, para levar a nossa pequena Ana Laura e suas amiguinhas para ver o Boi de Mamão,  apresentações de dança, contação de histórias e tudo mais que por lá acontece aos domingos.

Chegando lá, logo na entrada me deparei com bonecos esculpidos em madeira, singelos mas cheios de identidade e personalidade. Logo vi Seu Manoel e já fui perguntando se era ele o artista, meu coração já batia diferente e a ansiedade de saber cada detalhe da arte e da vida deste escultor foi tomando conta. As crianças a mil querendo correr e sabia que não teria tempo de ouvir suas histórias, então disse a ele que logo voltaria. E foi assim que aconteceu, alguns minutos depois voltei para ver melhor as suas peças e pedir seu telefone.

Aproveitei para saber se ele me receberia em sua casa para podermos conversas com tempo, sem pressa e lhe prometi então que entraria em contato. Logo no início da semana seguinte já liguei e combinamos a minha visita.

 

 

 

 

Quando cheguei à sua rua não encontrava o número mas quando olhei em volta, lá em cima (pois a casa fica em um muro muito íngreme)avistei um boneco alegre, sentado, olhando para todos que nesta rua passam e logo percebi que era ali a casa do Seu Manoel.

Fui entrando, pois é incrível como casa de artista está sempre com a porta aberta, e de dentro de uma

salinha pequena junto à garagem vem saindo um senhor sorridente logo me dizendo: “não é que você veio mesmo”. Pensei como não vir conhecer a pessoa a qual encheu meus olhos de alegria com a sua arte naquele domingo lindo de sol.

E foi assim que pude conhecer melhor a história de Seu Manoel e seu querido neto:

Natural do interior de Paulo Lopes, ainda jovem foi morar em São José. Da vida do campo trouxe muitos ensinamentos para a cidade, como acordar cedo, e até hoje às 5 da manhã já está de pé. A primeira coisa que faz ao acordar é ir ao seu atelier para já ir imaginando as peças que ganharão vida ao longo do dia.  Avô, se divide entre a arte de esculpir e seus netos.

Das suas lembranças uma ele não esquece, que foi aos cinco anos, quando ganhou o seu primeiro presente de aniversário do seu pai, uma enxada, e mesmo tendo uma criação rígida ele se diz feliz, pois foi esta base que sempre levou consigo onde quer que fosse e que fez a sua vida ser em paz e tranquila.

Seu Manoel não tem medo do trabalho, como ele diz, e enfrenta as dificuldades com fé, muita honestidade e amor.  Sempre ao seu lado está o seu querido neto que foi o responsável por esta grande mudança na vida deste artista popular. Há poucos anos atrás Carlos Eduardo pediu para o seu avô que fizesse um dinossauro e desde então Seu Manoel não parou mais de criar e assim se redescobriu, um pouco antes de completar 70 anos.

Para confeccionar suas peças só utiliza serrote, facão e seu canivete velhinho, tendo como a base do seu trabalho as toras de madeira e a pintura de sua preferência é o esmalte sintético, pois dá mais brilho como ele diz.  Manoel se acha um grande milionário do amor que tem na família e mesmo tendo estudado somente até o quarto ano, com certeza é um grande conhecedor da vida.

  Texto e Fotos: Ana Paula Dreher

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